Índice de assuntos deste post:

Deu no jornal

A semana começou com a notícia de que uma agência internacional de pilotos rebaixou a nota de segurança dos voos no Brasil, devido à questão dos balões em nosso espaço aéreo. Balões amadores são um problema concreto para a aviação. Tanto é que o CENIPA (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) tem links especiais para risco da fauna e para risco baloeiro no website do órgão. Motores turbofan de aviões a jato são incompatíveis com corpos estranhos. Sejam pássaros, balões ou drones. Qualquer uma dessas coisas pode levar ao desligamento voluntário ou involuntário de motores em voo. Aviões precisam de motores funcionando, logo é necessário atenção e cuidado com quaisquer animais ou objetos que estejam disputando o espaço aéreo onde aeronaves se deslocam. Isso é uma coisa. Outra coisa é a IFALPA (federação internacional de pilotos de linhas áereas) ter competência legal para rebaixar nota de operações aéreas no Brasil ou em qualquer outro país. Ao contrário do que alguns veículos publicaram, a IFALPA não tem nenhuma vinculação direta com a ICAO – esta sim a entidade máxima que regula a aviação civil no mundo. A IFALPA está para a ICAO como o SNA (Sindicato Nacional dos Aeronautas) está para a ANAC ou para o CENIPA. Ou seja, tem representatividade e pode fazer alertas ou propor acões. Mas não classificar segurança de operações aéreas. Faltou apuração, novamente. Em novembro de 2015 a ICAO classificou o Brasil como 4º país no mundo em segurança operacional.

Recado do leitor

David Coimbra

David Coimbra (foto), articulista do Grupo RBS, frequentemente recorre às memórias de sua infância para ornamentar crônicas. O problema é que volta e meia David escreve coisas que não aconteceram do jeito que ele narra. Na última segunda-feira (25/4), o espaço do leitor na edição impressa do jornal Zero Hora tinha o singelo recado:

Não, David Coimbra. O ‘Aconteceu’ que sua avó ouvia, e que, por sinal, era por mim produzido e narrado na velha Rádio Itaí, não era um programa de terror (ZH, 16 e 17/4). Era a crônica policial radioteatralizada. As notícias policiais que a censura deixava a gente publicar eram tão amenas, que até se prestavam a delas se fazer graça. Mas outras, bem mais amargas, estas, sim, de terror, aconteciam nos porões da ditadura. Que bom que você, menino daquele tempo, guarde recordações tão doces como o caldo de pêssego derramado por seu avô no prato de arroz.

Milton R. Medran Moreira
Procurador de Justiça aposentado
Porto Alegre

Sem vergonha

Michel Temer

A imprensa brasileira tem como tão certo o afastamento da presidente Dilma Rousseff que as editorias não falam em outra coisa senão a composição do ministério do PMDB. O que vemos nos jornais parece com os dias seguintes ao resultado de um pleito eleitoral. Com a diferença de que ninguém foi às urnas para delegar poder a Michel Temer (foto). Não se observa o menor constrangimento nas Redações em ignorar que Dilma ainda está no exercício legal de seu mandato presidencial. Vivemos a era do jornalista-torcedor.

Entre aspas

Malcolm X

A imprensa é tão poderosa em seu papel de construção de imagens que pode fazer um criminoso parecer que é vítima, e fazer a vítima parecer que é um criminoso. Esta é a imprensa. Uma imprensa irresponsável. Se você não for cuidadoso, os jornais vão fazer você odiar as pessoas que estão sendo oprimidas e amar as pessoas que estão oprimindo.

Malcolm X (1925-1965), ativista político e defensor dos direitos dos negros

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