Índice de assuntos deste post:

Zumbis na sala de estar

Um laboratório de biotecnologia chamado Bioquark, sediado na Filadelphia (EUA), supostamente obteve permissão de um órgão americano e um órgão indiano de saúde para realizar testes em 20 pacientes com morte encefálica declarada. Com base na capacidade de regeneração de áreas do cérebro de certos peixes e anfíbios, a empresa americana acredita ser possível reanimar células cerebrais em seres humanos. A ousadia também se baseia no fato de que após constatada morte cerebral algumas áreas do corpo permaneceriam recebendo impulsos e reagindo a estímulos, incluindo o sistema nervoso. Isso parece insólito demais para ser considerado Ciência. Regeneração de tecidos e músculos, talvez até órgãos, em pessoas vivas é uma coisa. Morte cerebral é morte. É aceitável que a Ciência procure caminhos para prolongar a vida. A própria expectativa de vida tem aumentado continuamente – em parte pela Ciência, em parte pela evolução natural, em parte por mudança nos hábitos dos seres humanos. Mas a ideia, ainda que pura teoria ou mero golpe de marketing, de reviver pessoas já mortas parece ter muito mais a ver com a inconformidade cristã perante a finitude da vida do que propriamente com Ciência. Tudo tem fim. Tudo: bactérias, plantas, animais, seres humanos. Tudo que é vivo, morre. E não volta.

Zumbis no Parlamento

Waldir Maranhão

Eduardo Cunha (PMDB), corrupto que mereceu capa positiva das revistas Veja e Época1 e foi evocado com orgulho pelos brasileiros que alegavam ser contra corrupção, foi finalmente afastado da presidência da Câmara Federal. Medida deveras tardia, porque foi esse homem – acusado de vários crimes – que deflagrou processo de impeachment contra uma presidente que não é acusada formalmente de crime algum, em uma subversão perigosa do Estado de Direito. No lugar de Cunha entrou Waldir Maranhão (PP), deputado que também é investigado na Operação Lavajato por supostas propinas que teria recebido. Contra ele há ainda denúncias de crime de ocultação de patrimônio e desvio de recursos de fundo de pensão, além de suspeitas sobre o tempo em que exerceu cargo de reitor na Universidade Estadual do Maranhão. Ou seja, trocaram seis por meia dúzia. Ressalte-se que Cunha foi afastado do Congresso, mas ainda não foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal – que não parece ter mesma a disposição para julgar o deputado do PMDB. Nem mesmo o juiz federal Sergio Moro, que virou herói dos homens bons da nação depois da aposentadoria do ministro Joaquim Barbosa, dignou-se a determinar a prisão preventiva de Eduardo Cunha.

Recado do leitor

Sede da Zero Hora

Espaço do leitor na edição de hoje (05/5) do jornal Zero Hora traz o seguinte recado:

Dilma não vai cair vítima de golpe, mas de golpe baixo. É inaceitável que o presidente seja julgado pelos inimigos, que o juiz seja ao mesmo tempo parte e julgador. Sou anti-PT, mas tenho compromisso com o Estado de Direito, com a voz das urnas, não com a burguesia e interesses afins.

Ismael de Oliveira Façanha, advogado
Porto Alegre

Ressalte-se que o leitor acima não é um fake. O advogado Ismael Façanha existe e é anti-PT mesmo: há dezenas de comentários dele em blogs e portais de notícia criticando há anos governo e PT. Merece cumprimentos por defender o Estado de Direito acima de convicções políticas.

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