Índice de assuntos deste post:

Laser na mão e nenhum juízo na cabeça

A Polícia Militar do Rio Grande do Sul conseguiu flagrar um homem usando caneta laser contra aeronaves no alto de um edifício no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre. Equipado com câmera infravermelha, o helicóptero da PM fazia um voo noturno quando se deparou com alguém brincando com laser verde no alto de um prédio. A aeronave ficou circundando a área e obteve imagens nítidas do rosto do sujeito.

Apontar laser para aeronaves civis ou militares é crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo, conforme artigo 261 do Código Penal. Isso é algo grave, que pode incapacitar a visão de aviadores em fases delicadas de voos e causar acidentes aeronáuticos. Nas decolagens de aviões há menor suscetibilidade à incidência de laser devido ao próprio ângulo que a aeronave assume. Mas nas aproximações para pouso não tem jeito: se alguém apontar laser para a cabine de comando, vai ofuscar de forma significativa a visão da tripulação técnica. Já para helicópteros não há diferença: em qualquer etapa do voo eles estão sujeitos a esse problema. Raios laser provêm uma luz tão intensa e de alcance tão grande que podem cegar pessoas para sempre.

Campanha do Cenipa

Nos Estados Unidos a polícia adota tolerância zero com irresponsáveis dessa natureza.1 No Brasil, o CENIPA (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) mantém um link para comunicados de ocorrência com laser no site da entidade.2

Recall em doses homeopáticas

Airbags Takata

A montadora japonesa Honda deve anunciar nos próximos dias um recall de grandes proporções no mundo inteiro, envolvendo em torno de 20 milhões de veículos da marca. O problema se refere a airbags defeituosos que foram produzidos pela também japonesa Takata. O equipamento, que deveria proteger os passageiros em acidentes rodoviários, literalmente explode no rosto dos ocupantes ao ser deflagrado, podendo ferir gravemente condutor e carona. Nos Estados Unidos há inclusive mortes associadas a esse defeito. O problema foi detectado há vários anos, mas no final de 2014 começou a ganhar uma dimensão assustadora. Poucos meses depois, em maio de 2015, a Takata admitiu que o defeito poderia afetar pelo menos 53 milhões de veículos. Com o novo anúncio da Honda, expectativa é de que o defeito seja infinitamente mais abrangente do que a Takata havia projetado. A empresa fornece airbags para vários modelos de automóveis, de várias montadoras. Apesar de ser conhecido pela indústria como um todo e retroceder a carros fabricados desde 2003, esse problema é tratado pelas montadoras com o expediente de sempre: seguram, postergam e fazem comunicados em lotes – não pelo volume total de veículos afetados, mas sim por conveniência ao atendimento de cada montadora. A imprensa, por outro lado, cede espaço para anúncios de recall (que são contados como espaço publicitário, pago) e ao mesmo tempo não questiona o volume insano de defeitos ocorridos nas linhas de montagem das fábricas de automóveis.3 É no mínimo estranho o silêncio dos grandes grupos de comunicação sobre a questão do recall. Sua montadora já avisou que você corre perigo?

Congresso em foco

Circo do Congresso

A notícia em Brasília ontem (09/5) foi a declaração de nulidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) pelo presidente interino da Câmara Federal, Waldir Maranhão (PP). Horas mais tarde Renan Calheiros (PMDB), presidente do Senado, argumentou que o processo já tramitava em outra casa e declarou nula a declaração de nulidade da Câmara. Em síntese, o velho circo de sempre. Ultrapassando os debates jurídicos, que a essa altura já são inócuos dada a convergência de interesses de certos setores para que ocorra o impeachment, é interessante observar como um evento específico pode desnudar o jornalismo brasileiro. Ontem pela manhã o que se via eram jornalistas atônitos, perdidos entre a necessidade de informar o público e a incapacidade de assimilar o que estava ocorrendo. Parecia aquelas crianças que quebram um vaso de flores da mãe e não sabem como vão dar a má notícia para ela, sendo que esta vai chegar a qualquer momento e vai querer uma explicação convincente. O horror, era isso que se via no semblante dos nossos jornalistas. Aos poucos, porém, eles foram se acalmando. Não porque compreendessem corretamente o que estava acontecendo, mas sim porque quem já está no comando tratou de avisar que estava tudo sob controle: Renan Calheiros haveria de reestabelecer a “ordem” quando abrisse a sessão no Senado. Mesmo assim figuras de bastidores como Ali Kamel, poderoso chefe de jornalismo da Globo, fiel escudeiro do modelo Roberto Marinho de fazer imprensa, já haviam decretado: dever-se-ia destruir Waldir Maranhão a qualquer custo. Dos filhos aos tataravós: toda a vida pregressa do deputado deveria estar na edição do Jornal Nacional do mesmo dia. Apenas a primeira de muitas reportagens. Todas as traquinagens de Maranhão, que antes nunca haviam interessado à Globo, agora seriam pauta principal do JN por vários dias. Ordem dada, ordem cumprida. Mas nem era mais necessário: antes do Jornal Nacional ir ao ar à noite, Renan Calheiros já havia sacramentado que o processo de impeachment não sofreria interrupções. Assim, os jornalistas dessa pátria amada tão gentil puderam voltar a descontrair, sorrir e contar piadas. Igual às crianças que escapam de punição.

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