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Ostentação em tempos modernos

Leão e bandidos estão de olho na ostentação. Auditores e técnicos fazendários da Receita Federal estão sendo treinados para cruzar dados de redes sociais com declarações de imposto de renda.1 Querem confrontar aquilo que os contribuintes declaram com o que exibem na internet. Esse procedimento não chega a ser novidade para fiscais tributários. Cruzamento de informações sempre foi uma premissa básica dessa atividade. A diferença é que antigamente era necessário ir atrás de parte dos dados. Hoje o próprio contribuinte fornece quase 100% das informações. Mesmo assim é preciso treinar os fiscais, para que eles saibam interpretar os dados e ir na direção correta. Há 20 anos, quando a internet ainda engatinhava no Brasil, além de trocar informações com outros órgãos eu tinha o hábito de dar uma olhada atenta nos jornais e revistas. Publicidade e algumas entrevistas indicavam o patamar financeiro de empresas e empresários. Para técnicos, certas fotos costumam mostrar bem mais do que supostas famílias felizes. Mas não são apenas os sonegadores que deveriam conter o ímpeto de ostentar bens e outros recursos: hoje bandidos também acessam internet e redes sociais. Dentro de presídios e fora deles.

Torcida organizada

Jornalista-torcedor

Há poucos dias, comentei neste post que tão logo o PT fosse limado do poder o discurso dos jornalistas brasileiros mudaria. As capas, manchetes e reportagens catastróficas, convidando as pessoas para deixarem o país, não tardariam a serem substituídas por palavras de otimismo e esperança em um Brasil melhor. Brasil melhor com Michel Temer, notem. Com Renan Calheiros, Ronaldo Caiado, Aloysio Nunes, Álvaro Dias, Aécio Neves, Gilmar Mendes e outras figuras nefastas dando suporte ao governo. Com as siglas PMDB, PSDB, DEM e PP juntas. Com a FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) ditando os rumos da economia e dos direitos trabalhistas. Com um evangélico sendo indicado para ser ministro da Ciência e Tecnologia (não é piada). Este é o Brasil que a jornalista Marta Sfredo, do jornal Zero Hora, acha agora que pode ir para frente. Ela e 95% de seus colegas, como Rosane de Oliveira e David Coimbra. Sem falar no resto da imprensa brasileira.

Entre aspas

Cláudio Abramo

Em quarenta anos de jornalismo nunca vi liberdade de imprensa. Ela só é possível para os donos de jornal.

Cláudio Abramo (1923-1987), jornalista que promoveu transformações significativas nos jornais Estadão e Folha de S. Paulo durante a época em que foi editor-chefe de ambos

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