Rosane de Oliveira (foto), Grupo RBS, deu novo pitaco sobre os rumos da Operação Lava-jato. Na edição dupla deste final de semana no jornal Zero Hora (18-19/6), sua coluna iniciou com a seguinte sentença:

São inequívocos os sinais de que o sistema político brasileiro apodreceu.

Espetacular, não? Especialmente se a jornalista for capaz de apontar em que momento da História o sistema político brasileiro não foi podre.

É óbvio que Rosane não poderá fazer isso. Ela própria sabe. Só que a cartilha da grande imprensa impõe a sugestão velada de que a política mudou a partir do PT no poder. Todos os articulistas fazem questão de insinuar isso. Alguns sequer se constrangem em afirmar de forma explícita, como David Coimbra.

Ou seja, antes não existiu Fernando Collor, Paulo Maluf, ACM, Adhemar de Barros e tantos outros. Antes o PSDB devia ser exemplo de administração “técnica”, sob comando de FHC. Fernando Henrique Cardoso!

Antes o PMDB provavelmente era um partido de freiras. Figuras como Renan Calheiros e Michel Temer decerto nunca estiveram nos notíciários por envolvimento em improbidades. E o DEM nunca foi um partido líder em políticos corruptos. Nem o PFL, que o antecedeu.

Resta saber se antes Rosane de Oliveira não via os sinais da podridão na política brasileira.

Ou será que via e não podia falar com a veemência de hoje?

O fato é que a própria jornalista encerra assim seu périplo:

[…] esquemas de corrupção que envolviam políticos de todos os grandes partidos e que começaram, segundo os delatores, há muitos e muitos anos.

Se relesse esse último parágrafo, Rosane evitaria o vexame da frase que usou para abrir sua coluna deste final de semana.

Não que isso seja novidade, em se tratando da referida jornalista.

Foto: Luiz Munhoz/ULBRA

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